Entre o que fui e o que serei: o silêncio dos dias incertos

 

Entre o que fui e o que serei: o silêncio dos dias incertos

Há dias em que a gente não se regulariza.

Nem oq ue parecemos caber, nem o que seremos revelados por inteiro. É como ficar parado numa ponte, com o passado acenando de um lado e o futuro encoberto pela névoa do outro. E nesse meio-termo, nesse território sem nome, nasce um silêncio difícil de explicar.

É o silêncio das perguntas que não têm resposta.

As decisões que não sabemos tomar.
Do cansaço de tentar parecer bem quando, por dentro, tudo é tentativa.
Eu prefiro chamar de travessia.
Mesmo que os passos sejam curtos, cada um deles nos leva para mais perto do que ainda não sabemos nomear.
O corpo, os sentimentos, os vazios.
É quando o barulho do mundo silenciou um pouco, que começamos a ouvir o que sempre esteve ali, mas que antes era abafado pelas urgências.
Às vezes, é no silêncio que a alma floresce.

Tem gente que chama isso de crise. Outros chamam de fase.

Porque mesmo que a paisagem pareça parada, por dentro algo está se movendo.

É nos dias incertos que a gente aprende a escutar.

Se você está vivendo esse entre — esse espaço suspenso entre o que já não é e o que ainda não chegou —, saiba que ele também faz parte da história.

Nem todo crescimento é barulhento.


Thalía M. Menezes

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