A Contemplação da Morte: Um Convite à Vida

 A Contemplação da Morte: Um Convite à Vida

Vivemos como se a morte fosse uma anomalia — uma interrupção indesejada de uma história que supomos ter o direito de narrar até o último ponto. Mas a verdade é que a morte, longe de ser uma invasora, é parte indissociável do próprio tecido da existência. Contemplá-la não é um ato mórbido, mas um exercício filosófico profundo, talvez o mais sincero de todos: olhar para o fim para compreender melhor o meio.

A morte é um grande equalizador. Diante dela, desaparecem títulos, propriedades, certezas. E, no entanto, é justamente por isso que ela tem tanto a nos ensinar. Quando enfrentamos com coragem — não com o olhar de quem se desespera, mas com a serenidade de quem quer entender — percebemos que a finitude pode ser uma lanterna que ilumina o valor dos nossos dias.

Há algo de libertador em aceitar a impermanência. Aquilo que é efêmero se torna mais precioso. As pequenas alegrias do cotidiano — o cheiro do café, a brisa da tarde, o sorriso de quem amamos — adquirem um peso sagrado quando lembramos que tudo isso é passageiro.

 A contemplação da morte, nesse sentido, é também uma contemplação da vida.

 Uma vida que só é plena quando sabemos que ela não é infinita.

O filósofo estoico Sêneca dizia: “Aprender a morrer é desaprender a ser escravo”. 

Escravos do medo, da pressa, da ilusão de controle. Quem enfrenta a morte com honestidade passa a viver com mais liberdade. Já não adia o essencial. Já não troque o que é profundo por distrações baratas. Já não se esquece de agradecer por estar, ainda hoje, respirando.

Contemplar a morte não é desejar que ela venha — mas é parar de fingir que ela não veio. É fazer as pazes com o fim, para que o presente possa ser vívido com mais integridade. Porque talvez o verdadeiro problema não seja morrer, mas nunca tenha vivido de verdade.

E você — o que a ideia da morte desperta em você: medo ou claro?


Thalía M. Menezes

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