Decidi me guiar pelo desejo (não pelo medo)
Tem dias em que tudo o que a gente precisa é de um pouco de silêncio.
Não para fugir do mundo, mas para conseguir se ouvir.
Esse texto nasce desse lugar.
De uma decisão que não foi grandiosa, nem imediata, mas que mudou (e ainda muda) muita coisa em mim:
Decidir me guiar pelo desejo, e não pelo medo.
Se esse tema encontrou você agora,
talvez não seja por acaso.
Quando o medo escolhe por nós
A maior parte das escolhas que a gente faz
não nasce daquilo que a gente quer.
Nasce daquilo que a gente tem medo de perder.
Medo de decepcionar.
Medo de errar.
Medo de ficar sozinha.
Medo de não ser suficiente.
O medo é barulhento.
Ele fala alto, rápido, com urgência.
Ele exige respostas imediatas.
Já o desejo…
O desejo costuma falar baixo.
Às vezes quase em sussurro.
E talvez por isso ele seja tão fácil de ignorar.
O desejo não é capricho
Na psicanálise, desejo não é só vontade, não é impulso, nem fantasia passageira.
Desejo é aquilo que aponta para quem a gente é , não para quem esperam que a gente seja.
O medo tenta nos proteger, e ele tem sua função.
Mas quando ele vira o único guia, a vida começa a encolher.
A gente chama isso de prudência, de maturidade e responsabilidade.
Mas, muitas vezes, é só abandono de si mesma disfarçado de sensatez.
Se você já sentiu que vive uma vida segura demais e verdadeira de menos,
talvez o medo esteja no volante há tempo demais.
Onde você está ficando pequena?
Talvez você esteja ficando onde já não cabe, talvez esteja amando pela metade, sonhando pequeno, adiando conversas, escolhas, despedidas...
Porque o medo sempre pergunta:
“E se der errado?”
Mas o desejo pergunta outra coisa:
“E se der certo?”
E, mais fundo ainda:
“E se eu me perder de mim se não tentar?”
Essa pergunta não costuma gritar.
Ela espera.
Escolher apesar do medo
Se guiar pelo desejo não é viver sem medo.
É escolher apesar dele.
É olhar para dentro e perguntar, com honestidade:
— O que em mim quer viver?
— O que em mim está pedindo passagem há anos?
Às vezes o desejo não pede uma revolução.
Não pede que você vire a mesa hoje.
Às vezes ele só pede um gesto pequeno e radical de verdade:
um “não”.
um “chega”.
um “eu quero”.
Talvez a pergunta precise mudar
Talvez hoje você não consiga mudar tudo.
E tudo bem.
Mas talvez consiga mudar a pergunta.
Em vez de:
“O que é mais seguro?”
Experimentar perguntar:
O desejo não promete conforto.
Mas ele promete presença.
E viver presente em si mesma, já é uma forma profunda de coragem.
Obrigada por estar aqui.
E esse texto te tocou, talvez seja um sinal de que o seu desejo também quer falar.
Cuide do que em você quer viver.
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